segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um pouco de otimismo, inesperadamente.





Não há por que sofrer.

A vida é toda, toda assim. Os caminhos pelos quais passamos nos pedem, a toda hora, que façamos escolhas. Neste exato momento, todos estão fazendo escolhas. Inclusive eu, que escolhi escrever - ao invés de cumprir com outras tarefas - para te dizer que não, não há por que sofrer.

Observe a imagem. "Exclusivo para armazenamento de desistências". Você consegue imaginar o seu próprio pacote de armazenamento de desistências? Eu posso imaginar o meu. Ele é um tanto quanto grande, maior do que eu gostaria que fosse. Lá dentro tem alguns sonhos, muitos, muitos planos, várias elucubrações despropositadas... Livros a escrever - e a ler -, amores a concretizar, lugares a visitar, línguas a aprender, sabores a experimentar, filmes a ver... Estão todas lá. Por uma escolha minha, elas foram parar lá. Infelizmente ou felizmente, elas foram relegados para um plano que sequer é segundo - estão perdidas em alguma longínqua denominação ordinal.

Mas eu escolhi isso. Eu escolhi desistir, não pude sustentá-las. Mas não há por que sofrer pelas coisas não serem como gostaríamos que elas fossem. O tempo corre, o mundo gira, as pessoas nascem, crescem e morrem, as pessoas choram, as pessoas amam, as pessoas brigam, as pessoas riem. E tudo isso acontece independentemente de nossa vontade, na maior parte das vezes. Temos que cumprir com nosso papel para que as coisas que dependem de nós, à nossa volta, estejam em harmonia... Mas elas nunca estarão em paz. Conforme-se com isso e esteja preparada para lutar, sempre.

Não se martirize se você teve que acrescentar um item a mais no seu pacote de desistências, querida. Não se culpe, mesmo que você tenha feito de tudo para que esse item não se lançasse, voluntária e incontrolavelmente, ao seu pacote. Não sofra porque esse algo resolveu esconder-se em um fundo eternamente inacessível deste estoque. E, principalmente, não sofra se você acabar se esquecendo desse item. Ele escapou para sempre do seu pacote, da sua memória, da sua vida. Mas algumas coisas são assim, pensamos que elas são eternas - na verdade, elas duram o tempo que têm que durar. O tempo justo.

Não fique tentando se lembrar do que deve ser esquecido. Resolva todas as pendências, ao invés de ficar se torturando mentalmente - tenha a audácia de fazer essa escolha. Tenha a audácia de escolher não resolver tudo agora, também. E, quando sobrar um tempo livre, não mergulhe na parte sombria de você mesma, procurando coisas que vão te trazer dor. Vá lá no pacote de armazenamento de desistências e tente resgatar algo que seja realmente construtivo. Se quiser uma dica, pegue um item que a maioria das pessoas possuem em seus pacotes: ânimo para organizar a vida. Trabalhe muito com ele, não desista dele de novo. Quando ele se tornar algo real, você perceberá que seu pacote raramente terá itens novos, e os itens antigos - ainda recuperáveis - pouco a pouco serão retirados daquele tristonho depósito.




- Uma carta para alguém querido, ou para todo mundo. :*