terça-feira, 23 de maio de 2017

A quarta Rainha

[23 de maio]

Deixa eu te contar uma história.

Nos idos de 1980, quando nem eu nem você ainda habitávamos esse plano da existência, já havia pessoas sofrendo. Desde muito antes, até muito depois, sei que isso acontece. Mas esse caso, nesse momento, me é de extremo interesse simbólico (e psicanalítico).

Uma jovem de 19 para 20 anos aportou na cidade grande onde havia nascido. Muito criança, mudou-se para uma cidade do interior, e lá passou sua infância e adolescência. Lá construiu, como a maior parte das pessoas, suas lembranças mais acalentadoras, e observou, pouco analiticamente, sua personalidade se desenvolver. Não era uma pessoa de bases muito fortes.
Chegando a sua cidade natal, se instalou na casa da avó. Começou a estudar para cursar alguma faculdade, que ela ainda não sabia muito bem qual seria - o que, no fim das contas, não fez tanta diferença em termos profissionais e acadêmicos.
Tinha seus flertes aqui e acolá. Começou a sair com um homem, namorou-o por pouco mais de um ano: grávida. Seu pai havia falecido recentemente. Ela só fazia chorar - de culpa, de arrependimento, de desespero. O homem, já pelos seus 30 e alguns, não cogitava se casar. Ainda mais com uma pessoa tão frágil. O comunicado veio no mesmo dia em que ele estava decidido a finalizar a história com a moça e seguir com a sua vida de andarilho solitário. Também ele precisava do manual chamado Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios - se bem que eu não posso te dizer, exatamente, como foi que ele reagiu.
A vida tem desencontros horríveis, veja você.
Tiveram que se casar, afinal, e se casaram. Não sei quanto amor houve, de fato, nos anos que passaram juntos. O que ficou impresso: a marca do desencontro convertido em frustração. Desejos e expectativas completamente desencaixados. Mesmo assim, eles tiveram o sangue frio de levar a história adiante. Não sei que tipo de sentimento os conduziu a isso - talvez um sentimento de absoluta responsabilidade diante da vida alheia. Mas não sei o quanto isso sustenta uma alegria de viver.

Foi nesse ninho partido que eu surgi. Foram esses os sentimentos que habitaram as minhas raízes, esses fluidos me nutriram: desencontro, frustração, senso de responsabilidade, luta diária contra desejos profundos que poderiam arruinar com muita facilidade o castelo de areia que se criou nesse meio tempo.

De alguma forma, avaliando isso tudo, me parece muito justificável que as minhas emoções sejam assim tão excêntricas.
Essa é só uma continuação escalafobética das desculpas que se iniciaram ontem. Eu ainda precisava falar do quão alucinada eu estive no dia fatídico em que eu desisti de me conter e destruí os meus frágeis castelos de areia de uma pretensa respeitabilidade social. Like I care, even if I should. I just don't, I just can't. Mas isso fica pra outro momento.

A quarta Rainha

[primeiras horas do 23 de maio]

Tenebroso foi o dia de passar pelos fantasmas e vertigens decorrentes da tomada de uma difícil e necessária decisão
I try to lie to myself saying I regret nothing
(That's what I said to you, too)
Mas o que eu sinto é pesar
Com toques de tristeza, lamento
E uma improvável esperança.
Tive os olhos turvos, doentes, enevoados. As emoções em caótica profusão. Algumas lágrimas arrancadas pela necessidade de deixar a coisa toda se rasgar aqui dentro.

Uma contração horrível no peito. A sensação de ter sido profundamente enganada por mim mesma. Ridícula, ridícula, ridícula.
Ao mesmo tempo que tudo pareceu extremamente real. Quase a ponto de poder te tocar. Quase.

Ainda não quero nem consigo abrir a porta. Vou abrir buracos nas paredes com a minha própria testa, sim. E me ferir na tentativa de escapar dessa auto-prisão em que estou confinada devido a uma série de formações deficientes, falta de educação emocional, e certas heranças malditas.

Todas as Rainhas falaram de uma ausência. A minha não havia de ser diferente - a ausência forma esse quádruplo motor. Se me falta a dedicação e a habilidade daquele a quem amo sem nunca haver conhecido factualmente, sobra-me uma dor pulsante que me faz criar - para suprir desejos gerados por essa identidade mutilada e assolada por uma fina e pungente melancolia.

E nesse ínterim, me aparece você, tão cheio de histórias e possibilidades. Como haveria eu de passar ilesa por você? Essa nunca, nunca foi uma possibilidade.

Desculpe-me, portanto. Perdi o controle desde sempre, e ainda não consegui decidir se me arrependo ou não. Os farrapos estão aqui dentro totalmente desagregados. E criar é uma forma de não permitir que esse horror banhado em angústia me consuma nesse momento.

(Olhar para o abismo faz com que eu me sinta profundamente atraída por ele, a ponto de querer me jogar - e acabar me jogando)

domingo, 21 de maio de 2017

A quarta Rainha

[26 de abril de 2017]

Dispor das palavras para descrições da realidade já é coisa falida. Não que eu espere, aqui, fazer grandiosidades tais como as dos autores que lemos e relemos e amamos e choramos sobre e com eles. Nem tampouco vou reinventar a roda, de forma a criar qualquer teoria da produção ficcional - aos montes se veem pessoas dedicadas a isso. De pequenas conversas, convivências com a potência vital de um embrião (que ainda não se sabe o destino que terá - isso se qualquer destino é passível de conhecimento), surgem necessidades aristotélicas. Talvez fantasiosas demais para qualquer possibilidade de verossimilhança, mas tudo cabe na imensa plasticidade da imaginação humana.

Caminhar pensando à exaustão. Pensar, pensar, pensar à exaustão. Colocar-me em complicações existenciais, de forma voluntária ou só psicanaliticamente explicável - eu o faço à exaustão. A exaustão é o grande signo desses últimos respiros de uma adolescência tardia. I honor the godesses of foreseeing - por não nos permitirem figurar exatamente o que o destino nos reserva, esse dom e maldição nos foi gentilmente subtraído. A elas eu agradeço pelo imprevisto, pelo arranjo, pelas providências, e pelas felizes possibilidades de escape. Por uma integridade socialmente necessária, eu agradeço, caso seja possível me safar dessa. Como deixar explícito no texto que toda a contemporaneidade sofre do mal da certeza cambiante, mas sem dizê-lo diretamente?

[17 de maio]

Te vejo no escuro, exausto, olhos estatelados, sentindo seu corpo extenuado pela melancolia.

Pensei em formular alguma frase que envolvesse uma série de conceitos metafísicos pra evocar uma tentativa de conclusão geral sobre como a vida é, mas desisti. Não me parece a melhor opção, até porque eu mesma me sinto extenuada. A melancolia é um mal que nos assola. Mas é, também, um estranho tipo de elo.

[18 de maio]

Por isso minha mente consegue, de uma forma delirante, me imaginar perto de você. São muitos os abismos, e muitos deles transponíveis pela imaginação. Mas só por ela. A maior parte de existir consiste em vivermos para dentro, e realizar coisas dentro, e o mais fora que alcançamos são os involuntários sonhos.

Não falo por todos, é claro. Falo especialmente por mim, que projeto universos e infinitos, e vivo-os muito pouco por conta de uma configuração limitada.

[May 18th]

I would be the happiest ever in this very moment of so much frailty if I could only be sure there's something of me living in any part of you.

[18 de maio]

Assim como o professor de biologia escreve sobre JME na intenção de homenageá-la, aqui estou eu. Mas isso tudo é o grande jogo ficcional. Tudo tudo aqui é criação. E, sendo criação, não necessariamente quer dizer que é mentira. Mas quem ousaria afirmar o que é mentira e o que é verdade? É possível sabermos o que é verdade nos nossos tempos de agora?
(Me é permitido confessar o que é verdade?)
(Será que eu sei o que realmente está se passando aqui e dentro de mim? Será que eu realmente posso dar o direcionamento dito "real" desse jogo que está acontecendo agora?)

[19 de maio]

Paixão é uma coisa necessariamente obsessiva.
Nas redes sociais eu bem coloquei essa statement como uma dúvida. É a minha maneira de conversar indiretamente com você, você, que não sabe mais como me responder.
Fico pensando se o meu comportamento poderia ser classificado como obsessivo. Ou mesmo como paixão. Eu nunca sei definir esse tipo de conceito. Na verdade, eu meio que desisti de definir algumas coisas, mas só porque fui vencida pelo cansaço, porque se tem uma obsessão que eu reconheço é a necessidade de ter respostas objetivas. É mais forte do que eu. Mas eu já sei que não dá mais pra ficar acreditando nessa falácia.
Estou lendo um livro que me deu mais liberdade de não me sentir ridícula por estar fazendo isso aqui. Porque as pessoas ainda ousam vender livros que falem de "amor". E eu achando que esse tema já estava mais do que falido. Bem que eu queria acreditar sinceramente nisso.
Mas existem alguns assuntos sobre os quais minhas fantasias mais obscuras versam sozinhas consigo mesmas, e dificilmente eu as acesso de forma consciente. Um misto de vergonha e asco não me deixa escarafunchar certos cantos internos meus.
Então não dá pra ser sincera, nem de mim para comigo. Me darei a liberdade, pois, de não ser sincera com você (até quando eu não conseguir mais aguentar).
(Se alguém me lesse como literatura, que tipo de crítica seria feita a essa minha escrita?)
(É curioso que eu não consiga imaginar nossos corpos muito juntos um do outro - apenas perto, como eu disse em um dia de sentimentos mais exasperados. Um tipo estranho de repulsa me assola quando a imaginação vai montando essas imagens de forma mais intensa. Ao mesmo tempo que a vontade tem proporções exageradas, e me transporta até esse círculo do inefável e inimaginável. Isso tudo me dá um grande cansaço, I must say.)

[primeira hora de 20 de maio]

"Esteja inteiro até amanhã" foi um indicativo de esperança e um pedido abrasador de "esteja disponível para mim".
Está queimando aqui dentro, em um ponto indefinível entre a garganta e o estômago.
O coração quase salta pela boca com tudo o que a imaginação pode produzir.
Tentei evitar a imagem clichê, mas ela explica muito bem esse tormento que está acontecendo, e que geralmente me acomete de madrugada.
As madrugadas são extremamente produtivas e problemáticas.

[21 de maio]

O silêncio é muito mais vertiginoso do que o caos musical. Grupos de pessoas falando me deixam mentalmente exausta, também. Mas ficar em silêncio é, muitas vezes, uma tortura (necessária). Eu queria conseguir não escutar os meus pensamentos, só por alguns momentos, só para eu conseguir realmente descansar.
Nem dormindo. Dormir é uma questão tensa. Os sonhos são terrivelmente reais - inclusive aqueles em que eu te vejo, inclusive aqueles em que o mundo está acabando de maneira bela e apavorante, inclusive aqueles em que eu estou fugindo ou tentando me livrar de uma ameaça à minha vida (esses são muito recorrentes).
"Nenhuma acupuntura, chá de camomila, banho de alecrim ou o que quer que seja vai te salvar se você mesma não se ajudar", diz um dos pensamentos que eu queria não escutar. São reelaborações de algumas memórias, com um toque do meu cruel juiz interior. Essas vozes doem e cortam. Mesmo em silêncio, mesmo sozinha, quando eu não preciso estar me portando de forma a agradar alguém - esse trauma imenso e constante -, I need to be a lady to myself. But I'm really unsure about the real necessity of this.

Eu estou em paz, de alguma forma, porque eu não gosto dessas coisas enviesadas, obscuras, sugestivas. Sofro de uma ansiedade crônica, genética e ancestral. E tudo bem que eu esteja assim, no meu estado normal de autocomiseração e tentativa de me manter impassível. Na hora em que eu precisar desmoronar, isso vai acontecer inevitavelmente.

[]
A passagem das horas, alguns copos de qualquer bebida, um livro cortante.
Todo um novo gosto pela literatura contemporânea sendo gestado.
Gosto disso que não necessita de deslocamento e adequação histórica, me sinto entendida.

Tentativas inúteis de apagar esses flashes ambíguos.
Figurações oníricas. Reality stranger than fiction, more horrifying than nightmares.
E olha que eu tenho tido muitos pesadelos ultimamente.
De olhos abertos, inclusive.

[]
I've spent this day listening to melancholic songs and trying to swallow this whole thing up.
A mixture of rage, self-anger, laivos de um arrependimento instável, a ruthless desire, and a constant feeling of almost reaching a total breakdown - all of this housed my chest.
I'M TIRED. I'm just so tired...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Investigações filosóficas sobre um passado distante do meu coração

Talvez seja o efeito dos sonhos bizarros que tive essa noite
que acabaram por me deixar com essa sensação de fim de vida, de fim de mundo,
de fim de sentimento, sei lá,
Mas acabei me lembrando de  você, que foi o responsável pela minha
volta corajosa e independente ao Rio de Janeiro,
com quem eu experimentei pela primeira vez aquela sensação que não me larga
todas as vezes que eu vou à cidade maravilhosa
Que é a sensação de ser um pontinho isolado no meio de um universo colossal.

Fiquei rememorando os nossos encontros, do primeiro ao último
(E me espanta, agora, a nitidez com que me lembro de ambos)
E, buscando analisar com a mente da Mayara de agora
qual teria sido a natureza real dos seus sentimentos,
(eu, que quero saber a origem real e mitológica do universo e outras
impossibilidades)
Me deparo com uma nuvem vaga em que se misturam
contemplação
subjugamento (não sei se essa palavra existe)
paixão carnal desrespeitosamente descontrolada
algum tipo de afeto muito estranho, semelhante a um apego doentio
     ao que não foi nem nunca poderia ter sido
(Me deparo também com os meus próprios sentimentos, em que reinavam
um constante sentimento de humilhação
uma revolta interna nada resolvida
esse desejo do impossível que eu já citei
e uma triste necessidade de ser amada literariamente).

Não sei se existe algum momento de nossas vidas em que conseguimos nos livrar do passado
(vide, inclusive, esse meu ato de agora)
E essa percepção, junto a uma dolorosíssima maturidade recém-adquirida,
Talvez me façam me perdoar
E te compreender
Naquele momento de uma insuportável juventude.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

(sem título)

Talvez isso seja um relato pessoal
Mesclado com toques de ensaio sobre literatura
Ou sobre cultura de massa
Ou nada disso (ou tudo isso)
Com certeza não é um escrito com pretensões literárias
Mas tem ambições de um público amplo, talvez (ou não),
E de um público restrito (isso certamente),
Muito belo e charmoso, inclusive.

(Ao terminar de escrever, percebo que posso chamá-lo de uma espécie engraçada de carta.)


Escreve-se literatura por um sem-número de motivos. Nem como estudante apaixonada, já há tantos (posso até usar essa palavra, puxa vida) anos, tenho a possibilidade de listá-los. Nem pretendo fazer exatamente isso agora.

Me comovem, contudo, as aparições mínimas, como um pirilampear de vagalumes, da literatura na escuridão do cotidiano. Do fato, do relato, do insight que, de alguma forma, tem um valor literário reconhecido e, em função disso, desperta uma voz alheia ou interna: é preciso escrever sobre isso.

Qual será a natureza dessas aparições, eu não saberia dizer sem cair nos grandes clichês - me falta destreza para esse tipo de descrição. Sensibilidade não me falta. Pelo contrário: ela me veio de sobra no carregamento que os astros me entregaram tão logo eu vim parar nesse mundo que, na impossibilidade de descrevê-lo com mais paciência, chamo de louco. Só na loucura cabe tanto paradoxo simultâneo (somos tradicionalmente filhos do logos, respeitando nossa cultura ocidental).

Já fui mais dada a esse tipo de prática, a de traduzir em palavras um emaranhado de pensamentos fixos decorrentes de acontecimentos. Talvez uma excessiva auto-crítica e uma boa dose de covardia não me permitam me entregar a essa tentação à forma de outrora.

Mas não há muito como fazê-lo, por vezes. E na verdade, só estou aqui, agora, porque escutei em duas situações diferentes, em um curtíssimo espaço de tempo (que expressão engraçada essa!), a mesma sentença: você precisa escrever sobre isso (em que o pronome em questão não possui o mesmo referente, mas isso só vem ao caso de forma secundária).

(Como a escrita revela o escritor: estou dando voltas e voltas pouco objetivas, fazendo toda uma ambientação para justificar o meu discurso final. Deixo a análise para os analistas, contudo, se os houver.)

Pois aqui estou, mais me escondendo do que me mostrando, mais ocultando do que dizendo, dissertando motivada, em primeira instância, não pelo apelo alheio, mas - e aí entra a questão da cultura de massa - por uma imagem digital que, não mais que de repente (veja como me agradam os clichês literários), me incitou a suspirar de forma leve e agradável. Terceiro pirilampear: o decisivo, por ser uma voz interna, que eu tenho uma rebeldia muito própria na hora de decidir o que fazer. Alguns chamam isso de orgulho - outro conceito filosoficamente delicioso de se refletir sobre.

Não quero fazer um estudo de caso sobre os efeitos do Facebook nas nossas emoções. Até porque não quero me alongar muito mais, para não sofrer mais acusações (além das minhas próprias - todas cobertas de razão, devo dizer) de ser uma autêntica enroladora. Para os mais místicos, um não casual alinhamento dos planetas Marte e Mercúrio com a constelação de Libra serve de explicação suficiente para tantas voltas.

A imagem, a sentença, as motivações. Ao fim e ao cabo, o que eu gostaria de dizer é que, diferentemente da imensa maioria das lembranças romântico-afetivas que os meios digitais evocam em mim - tão carregadas de uma memória impregnada de auto-depreciação e revolta - ver a sua imagem me fez suspirar, e me fez lembrar de que me falaram para escrever o meu relato emocionado sobre você. E faço isso com uma boa vontade incomum. Faço isso por uma necessidade também, e principalmente, própria, como disse alguns parágrafos atrás. E isso me parece muitíssimo significativo.

Me comoveu essa aparição da necessidade de traduzir um discurso que, se ao ouvido alheio pareceu intenso, possui uma conotação tão leve para o meu logos e para o meu pathos. Talvez não sejam contraditórias essas duas características - leve e intenso. O andar felino, o voo de uma ave-do-paraíso: exemplos que talvez possam abranger os dois adjetivos. Se existe na Natureza, esse conceito soa válido à minha percepção das coisas do mundo.

Mas é só dessa forma, apenas isso tudo que eu vou dizer o que me pareceu que eu deveria dizer. Não sei o que te parecerá, sei muito pouca coisa, e nem se eu quisesse, seria possível sabê-lo exatamente agora, às vinte e uma horas e quarenta e um minutos do dia nove de novembro do ano de dois mil e dezesseis. Corrijo-me na minha sentença inicial: escreve-se por um sem-número de motivos. Escondi no meio da minha confusa verborragia meus particulares motivos. Corrijo-me pois não pretendi escrever literatura, afinal; mas foi sobre escrever, principalmente, que escrevi. Creio ser isso o que todo aquele que escreve termina por fazer - o grande exercício metalinguístico nosso de cada dia. Eis-me aqui, toda enrolada, terminando de escrever o que me pareceu que eu deveria dizer. Se necessário, outra hora eu volto. Sabe-se lá o que mais há de pirilampear no cotidiano, não é mesmo?