terça-feira, 10 de janeiro de 2012

[...] [2] - ou "vontade de lembrar"

Tudo começou assim. - "tudo" = a esse blog, no caso.

Em 2008 eu tinha 17 anos. Não tão jovem pra quantidade de tolices que cometi - que incluem os erros de inglês nas minhas tentativas de ser legal.

Esse primeiro texto é muito engraçado. Ele foi oferecido de presente a uma pessoa. Acho que eu não tinha (nunca tive) muito senso de ridículo. Essa mesma pessoa teve outro texto como presente - aparentemente ele ficou lisonjeado, mas não acho que tenha tido vontade de entender. Só deve ter achado bonitinho. As pessoas adoram me achar meiga, impressionante. (É que eu tinha essa coisa de querer ser uma princesa, mas isso era, e é, muito conflitante.)

Não que eu não goste disso, ou não ache legal. É bacana ser meiga. E é melhor deixar as pessoas pensarem bem de mim, não quero atrair mais problemas pra minha vida. Mas eu tenho que me redimir comigo mesma, por mais que agora seja hora do movimento, e não mais da redenção. Redenção será palavra de ordem por toda a minha vida. Eu sou assim, trágica - Melpômene que o diga.

O lance é que eu demorei a aceitar que todo o mundo tem não dois, mas vários lados - e eu também. Então eu posso ser simultaneamente, entre outras coisas, meiga e perversa - e eu sei que eu sou. Eu sempre fui perversa. A maldade é uma coisa muito típica de pessoas... comuns. Acho que eu sou uma pessoa comum. Espero ser. Nunca tive grandes expectativas de ser especial(isso é mentira). Todos são especiais - e, ao mesmo tempo, comuns. Não me lembro de quem partilhou essa filosofia d'Os Incríveis comigo, mas foi alguém que, naquele exato e especial momento, me entendeu. Ainda que superficialmente - porque sempre é assim, não tem jeito. Mas é legal ter uma comunhão com alguém, quem quer que seja, da maneira que tiver que ser. 

[E eu não sou necessariamente religiosa porque eu usei a palavra "comunhão" (ver definição 4), assim como usei "amém" outro dia. Ora.]

Aí está uma parte da minha maldade, da minha perversidade. Disse outro dia que librianos não prestam. O que é isso, minha gente? É claro que librianos prestam. Assim como todas as outras pessoas de outros signos. E assim como o resto, os librianos também são perversos. Não sei se há mesmo uma predisposição natural para a maldade de acordo com os astros, ou se todos são uns crápulas, mesmo. Sei que eu sou assim, e todo mundo deve ser à sua maneira, também.

Mas eu sou assim, crítica, perfeccionista. E eu não me importo muito com as pessoas quando elas me dão o direito de não me importar. Principalmente quem me estima - são os que mais sofrem com a minha canalhice. Pilantra. Me chamaram assim outro dia. Foi de brincadeira, mas eu sou mesmo uma pilantrinha. "Pessoa finória, enganadora". Engano, aí as pessoas gostam de mim, e quando elas começam a gostar elas gostam mesmo, e quando elas gostam mesmo eu me dou o direito de pisar pisar pisar na pessoa, porque eu não tenho que aturar as imperfeições dela. Isso é o que eu chamo de maldade.

"Arre, estou farto de semi-deuses!

Eu sou o contrário - eu procuro semi-deuses. Aliás, eu acredito, inconscientemente - às vezes não - na existência deles. Me disseram uma vez que Vênus (a deusa que rege o meu signo) era, entre outros, símbolo da perfeição. Isso me maltrata, viu? Porque a perfeição é um mito em que eu acredito piamente. Mas, assim como os outros mitos, a perfeição não existe na esfera humana. Isso é só um símbolo. Que eu me recuso a aceitar como tal.

~

Estava me lembrando de várias coisas enquanto sentia a água do chuveiro bater nas minhas costas.

[Pensei no ridículo desse texto agora. Fui me comparar com casos parecidos. Percebi que sou ridícula também. Mas eu não faço isso sempre, nem estou obrigando ninguém a ler essa baboseira toda, se não quiser. Blogs são pra isso, afinal - pra gente escrever o que quiser e as pessoas lerem se quiserem.]

[Eu não entendo as pessoas que sofrem do mesmo eterno mal. Pessoas que supostamente não têm lá grandes motivos para reclamar do que reclamam. Não publicamente, pelo menos. Isso é o que eu chamo de falta de noção.]

Me lembrei de uma menina que estudou comigo, dos meus 13 até meus 15 anos, mais ou menos. Ela era mais meiga que eu. E mais inocente. Era chatinha, tadinha. Tinha uns problemas de auto-estima, e uma grande necessidade de se incluir. Ela gostava de mim. E eu sempre fui excludente. Ela era meiga demais pra gostar de After Forever, eu pensava. Eu e a minha arrogância, meu sentimento de superioridade. Quem é essa menina chatinha pra querer gostar da minha banda de metal das trevas? Essa menininha tão meiga, tão cheia de coraçõezinhos e estrelinhas e diminutivos, ela não tem o direito de gostar da minha banda favorita. Olha aí a minha crueldade. Isso é porque eu supostamente deveria ter sido sempre meiga. 

Aí eu levei uma facada nas costas de uma outra menina, não tão meiga assim, diferente de mim mas legal (é claro, eu sou a referência de perfeição, reles mortais! - não é isso, é que é natural a gente procurar pessoas parecidas com a gente. É a maneira não-auto-crítica de avaliar a situação.). Ela era minha amiga, eu pensava. Talvez ela até tivesse sido, em algum momento. Isso me dói até hoje. É um dos preços que eu pago por ser excludente e perfeccionista. As pessoas, de repente, não mais que de repente, também me excluem porque eu não sou perfeita. Bem feito, isso é pra você aprender a não julgar os outros. Essa menina, aos poucos, me virou as costas porque eu deixei de ser legal pra ela. Aí eu fiquei sozinha.

É uma sina minha ficar sozinha. Eu não tenho amigos de longa data que sejam, de fato, próximos. Isso é altamente sintomático (eu adoro falar que as coisas são sintomáticas, dá um ar de conhecimento de causa).

Me lembrei de outras duas coisas também.

Primeiro, de que eu sempre me esforcei demasiadamente para agradar aqueles que nunca me deram a mínima. Necessidade de conquista. Sempre errei a mão nisso, as coisas se tornavam obsessões. E eu nunca tive um amor-próprio suficientemente bom pra me regular. Aí dá no que dá: eu consigo enumerar, com memória límpida e clara, pelo menos uns seis casos em que eu quis que gostassem de mim, e não consegui. Se eu ficar pensando nisso, vão aparecer mais casos. Houve alguns mais sérios, é claro. Como o que me dilacerou tanto que esse blog é o que é por causa dele. Eu sempre lidei muito mal com derrotas, ainda mais essas que incluem o fato de eu ser aceita ou não.

[Estou tentando, com muito esforço, evitar nomes, pra não ficar mais pessoal do que já está.]

Segundo, de um garoto. Na sétima série, eu com meus jovens 13 anos. Tão novinha, tão bobinha. Se eu tivesse sido um pouquinho mais audaciosa, tinha aceitado o pedido do garoto mais fofo e legal do colégio, e eu tenho certeza de que minha adolescência teria sido muito mais divertida. Está aí um grande arrependimento. Mas eu estou lendo um livro que me diz o tempo todo que "nada do que não foi poderia ter sido". Eu posso até pensar que eu estaria me divertindo e sendo feliz com ele até hoje e tudo teria sido diferente e as várias decepções não teriam me conduzido a essa irremediável melancolia. Mas não foi assim, e não tem como ser, porque passou. Aguenta. Vira e mexe eu encontro com ele. Dá uma coisa ruim no peito. Acabou que eu fiquei encantada com ele pra sempre. Porque eu tentei sutilmente reparar o meu erro, e não consegui. Como eu já disse, não sei lidar bem com derrotas. Essa nem foi a pior de todas, porque eu não penso muito nela. É melhor não pensar.

Mas chega de reflexões por hoje.

[AAAAAAHH ele ainda tá com aquela vaca! - acabo de conferir.]

Boa noite.

Um comentário:

  1. Sempre achei que te expressas tão bem...
    Bem, li o texto todo. Essa dualidade está realmente em nós todos, dear. Mas, bem... ah... deixa.

    Fica bem, sempre!
    (F)

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:)